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  • Foto do escritorIfigênia à Brasileira

Quem é afinal essa tal de Ifigênia?

Atualizado: 12 de jun. de 2021

Boa leitura, mas se preferir ouvir, basta clicar sobre a foto que você será direcionado ao Spotify.

Olá! Eu me chamo Marco Faustino. Sou ator e dramaturgo e venho, através desse canal, trazer as histórias de Dona Ifigênia, uma brasileira. Sou porta-voz dessa senhora excêntrica que tem muito a nos dizer.

Mas você pode ser perguntar: quem é afinal essa tal de Dona Ifigênia e sobre o que ela vai contar? Vamos lá então!


Professora de História e pesquisadora das questões brasileiras na juventude, Ifigênia ficou quase 50 anos afastada da realidade do mundo por conta de um trauma psíquico. Encerrada há décadas em um manicômio, ela finalmente foi despertada por um jovem

médico, "bem-intencionado", que quer aplicar novos conceitos no tratamento de sua rara esquizofrenia. Dela ou dele?

Ifigênia, após seu despertar, tomou contato com a realidade atual de nosso mundo e a de nosso país, tendo ficado indignada com o que acabou percebendo. Em sua nova fase de vida, ela sente a necessidade indiscriminada de fazer conjecturas e de contar suas histórias que acabam se conectando com questões de nosso Brasil.

Ifigênia fala incessantemente com seu médico. Seu distúrbio psíquico a incentiva a tecer constantes conjecturas sobre a realidade brasileira que ela passou a observar, expondo uma conexão destemperada com seu passado de professora e pesquisadora. O psiquiatra, por seu lado, adota a postura clínica estabelecida no método de tratamento que utiliza, o que o leva a deixar a paciente se expressar o quanto queira, procurando dar-lhe sempre atenção, o que o aproxima da atuação de um psicoterapeuta. Isso, entretanto, quase o leva à beira da loucura devido a toda complexidade do caso apresentado.

O que será que uma velha professora de história esquizofrênica tem para dizer depois de ter sido despertada de seu torpor? Como será que ela enxerga o nosso Brasil de hoje? O que uma louca tem a nos dizer sobre nós mesmos? Sobre nossas polarizações e paralisias?

Mas, você pode estar perguntando: o que quer dizer esse termo “à brasileira”? Qual a origem do nome de Ifigênia?

Ifigênia é um nome que faz alusão a uma personagem da Mitologia Grega utilizada por Eurípedes para compor uma de suas tragédias. Ifigênia foi vítima oferecida em sacrifício à Deusa Ártemis para que os gregos obtivessem condições favoráveis para prosseguir sua guerra contra Troia. Historicamente, podemos considerá-la como uma alusão ao sacrifício a que muitas mulheres se submetem e sempre se submeteram em nome de seus filhos, seus maridos, suas famílias, em detrimento de suas próprias vidas e escolhas, afastando-se de outros papéis que poderiam viver e desempenhar.

A Ifigênia dos mitos gregos foi uma primogênita enganada por seu próprio pai, que a atraiu ao local de sacrifício informando que ela seria entregue em casamento ao guerreiro Aquiles, alguém por quem ela se apaixonara. Mesmo após descobrir a verdade, ante a hesitação de seu pai na concretização do sacrifício anunciado, ela corajosamente acaba aceitando se entregar à morte para o bem de seu povo.

E a nossa Ifigênia? A brasileira?

Nossa Ifigênia tem conexões e antíteses com a Ifigênia dos mitos.

Quando jovem, saiu da casa dos pais indo morar sozinha em São Paulo para realizar seu sonho: tornar-se historiadora e pesquisadora das questões brasileiras.

Apaixonada por seu trabalho, é confundida com militante política de esquerda durante a ditadura militar dos anos 70, sendo investigada e perseguida pelos mecanismos de repressão existentes à época. Em um desfecho de dor e sofrimento, por conta de sua passionalidade ante uma traição, acaba sendo encerrada nos porões clandestinos da repressão e esquecida por décadas, até finalmente ser resgatada pelo médico que assume seu caso, mas agora fortemente acometida pelo espectro da esquizofrenia.

É essa Ifigênia agora que ressurge para contar suas histórias e tecer comentários.

Nesse canal, toda semana quero revelar algumas dessas conjecturas de Ifigênia a seu médico psiquiatra. Quando ele não está presente, ela se põe também a falar também com suas agulhas de tricô, sua cadeira de balanço, com as nuvens do céu, com as paredes. Enfim com quem estiver disponível a ouvir suas questões. Sempre teremos algo a aprender com essa senhorinha.

Nos encontramos no próximo podcast. Até lá!

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