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  • Foto do escritorIfigênia à Brasileira

O País que Envelhece Sem Amadurecer

Atualizado: 16 de set. de 2021

Boa leitura, mas se preferir ouvir, basta clicar sobre a foto que você será direcionado ao Spotify.


Crédito Imagem: Travis-Essinger-unsplash

Olá, eu sou Marco Faustino, o porta-voz de Dona Ifigênia, a irrequieta senhora que sempre nos traz suas “histórias”. Nesta semana ela ficou quatro dias sem nada dizer, quieta em sua cadeira. O médico, em suas passagens pelo seu quarto, apenas observou suas reações. Seria mais uma crise de afastamento? Vamos ver o que aconteceu com ela.


No quinto dia, chuvoso e escuro, ela se levantou de sua cadeira, foi até a janela e começou a conversar com as nuvens de chuva.

Minhas amigas nebulosas, estou vendo que mesmo boas notícias podem ser acompanhadas de problemas nesta terra enferma.

Olhem só! O Brasil rapidamente apresenta uma mudança no perfil de sua população. Estamos deixando de ser uma população de jovens e crianças e estamos rapidamente nos tornando um país de velhos.

Olha que coisa interessante que me acompanha!

Quando eu era criança, a maioria da população era exatamente de crianças. Os desafios de administrar essa terra estavam em conter doenças infantis, reduzir a mortalidade infantil e abrir escolas fundamentais.

Quando eu era jovem, com meus 20 e poucos anos, a maioria era também jovem como eu. Os desafios eram de trazer educação para jovens e adultos, formação profissional e emprego para toda aquela gente que estava se mudando do campo para as cidades.

Hoje, que sou velha, acabo descobrindo que o país está me acompanhando nisso também. As pessoas estão vivendo mais e as famílias estão tendo cada vez menos filhos. Isso é bom. Mas também, novos problemas vão surgir. É verdade que não vamos precisar construir mais tantas escolas ou ter que tratar tantas doenças infantis. Mas por outro lado, os aposentados são em número cada vez maior, precisando receber pensões adequadas e por um período agora muito maior de existência. Como essa conta vai ser paga? Além disso, vocês já perceberam que cuidar de idosos é bem diferente do que cuidar de crianças, certo? Idosos também podem ter muitas doenças, precisar de acompanhantes e coisas do tipo. Como fazer tudo isso num país onde a maior parte da população é pobre e não consegue se preparar bem para essa fase da vida?

Bom, apesar dos problemas, essa mudança de perfil vai acabar gerando um lado positivo. Tenho certeza disso! Vocês, nuvens queridas que viajam mundo afora, sabem que em lugares onde vivem muitos velhos a vida pode ser muito celebrada. A existência e a continuidade da vida podem ser muito valorizadas pelo cuidado que se tem com as crianças e com a formação dos jovens. E crianças e jovens são recursos valiosíssimos em países de velhos! Não se pode perder nenhum!

Aqui, onde as taxas de violência contra os jovens e até contra as crianças das periferias são vergonhosas e não há, de fato, preocupação em criar adequadas situações para melhoria dessa situação, só haverá mesmo mudança por conta da questão econômica envolvida. Eu explico, meninas: como já disse, um país de velhos precisa muito dos jovens para continuar economicamente viável. Só aí é que se olhará com mais carinho e atenção a essas grandes parcelas marginalizadas. Só quando faltarem braços e mentes jovens para ocuparem os lugares daqueles que se despedem da vida produtiva. E esse dia não vai demorar.

Fico feliz pela possibilidade de melhora, mas me entristeço pelos motivos e causas restritas que a geram.


Que tema complexo que ela trouxe à baila hoje, não? Não gostamos de pensar muito sobre os nossos problemas, mas Ifigênia gosta de colocar o dedo em nossas feridas. Você concorda? Até o próximo!

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