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  • Foto do escritorIfigênia à Brasileira

Museu das Imagens em Franco da Rocha

Boa leitura, mas se preferir ouvir, basta clicar sobre a foto que você será direcionado ao Spotify.


Museu Osório Cesar – Franco da Rocha

Olá, sou o Marco Faustino, o porta-voz de Dona Ifigênia, a senhora que nos oferece suas histórias pessoais e seus exemplos de vida. Hoje Ifigênia continuou envolvida com suas agulhas de tricô. Uma nova mandala, com outras cores e formatos surgiu do manuseio de suas agulhas. O médico não esteve presente durante o dia, então ela acabou conversando mesmo com uma das paredes do quarto. Ouçam só:


Olha só como essa mandala ficou bonita. É um presente para meu querido médico. Pena que ele não está aqui agora para ver, mas depois eu entrego a ele. Esta aqui vai fazer par com aquela outra que eu fiz. Acho que a Dra. Nise também iria gostar de ver essa aqui. E o Dr. Osório César, o que será que acharia? Olha só! Acabei me lembrando do Dr. Osório César, um grande psiquiatra e médico brasileiro que começou os trabalhos com arteterapia até mesmo antes da Dra. Nise iniciar os estudos dela nessa área. Ele foi pioneiro aqui em São Paulo e no Brasil desse sistema de tratamento e de aproximação com pessoas acometidas por doenças mentais!

Paraibano, ele se transferiu para São Paulo nos anos de 1920 e já em 1925 começou seus trabalhos de médico psiquiatra no antigo complexo do Juquery, em Franco da Rocha, um complexo hospitalar de atendimento a doentes mentais que durante décadas manteve milhares e milhares de internados no local.

Além de sua ótima formação em medicina e saúde, ele também tinha alma de artista: era pintor, músico e grande admirador das artes em geral. Nos anos de 1930 ele foi, durante alguns anos, companheiro da renomada pintora modernista Tarcila do Amaral e, segundo amigos próximos, acabou sendo um grande influenciador em trabalhos dessa artista extraordinária.

Por conta desse seu perfil e formação, ele tinha visão muito à frente de seu tempo e implantou oficinas de arteterapia e laborterapia para pacientes do Juquery. Uma experiência que ele já apontou em seu principal livro “Expressão Artística dos Alienados – Estudos dos Símbolos na Arte”, publicado ainda em 1929. Aliás, ele enviou exemplar desse livro ao próprio Sigmund Freud, pai da Psicoterapia, que o cumprimentou pela qualidade do trabalho.

Eu me atualizei para saber informações mais recentes e fiquei sabendo o seguinte: Osório César trabalhou por 40 anos no Juquery e faleceu em 1979, mas seus trabalhos foram reunidos em um museu, inaugurado em local ao lado onde funcionou por tantos anos aquele Manicômio. O Museu Osório César, com mostra de inúmeras obras artísticas dos internos e da própria história do médico, foi inaugurado em 1985 em Franco da Rocha. Depois de um incêndio, ficou fechado durante algum tempo, mas recentemente foi reformado e reinaugurado. Pelas fotos que eu vi numa revista, o lugar está lindo e com uma mostra muito interessante de seu acervo. Está aberto a visitações. Se eu não tivesse “alguns problemas de locomoção” eu ia querer dar um pulinho lá. Fica pertinho da estação de trem de Franco da Rocha. Vou ter que me contentar com as fotos que eu recebi.


Olha que assunto diferenciado que Ifigênia nos trouxe hoje. Você sabia que havia esse tipo de museu, com grande acervo de obras de internos acometidos por doenças mentais ao lado do antigo Manicômio do Juquery? Vou contar uma coisa: eu já estive lá e pude conferir: vale a pena ver. Até o próximo episódio!

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