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  • Foto do escritorIfigênia à Brasileira

Independência ou Morte

Atualizado: 16 de set. de 2021

Boa leitura, mas se preferir ouvir, basta clicar sobre a foto que você será direcionado ao Spotify.

Crédito Imagem: akshar-dave-NEye0hR6tZs-unsplash

Olá, sou o Marco Faustino, o porta-voz de Dona Ifigênia, e estou de volta com os comentários da senhora que nesse canal nos oferece suas histórias pessoais e seus exemplos de vida. Ifigênia esteve calada alguns dias, mas permaneceu muito produtiva, se atualizando em suas leituras sobre nosso mundo atual e sobre a situação de nosso país. Numa das passagens de visita de seu médico, ela fez o seguinte comentário:


Esse é um mês feliz, Doutor. Ou deveria ser... É feliz pois faz 199 anos que nosso país se tornou “independente”. E digo com aspas pois quem hoje bate continência à bandeira dos outros não exatamente quer andar com suas pernas... Mas falemos de coisa boa, caro Doutor! Preciso confessar que gosto muito mais de datas que chegam perto, mas não são certeiras, porque nada na história é de fato certeiro, não é mesmo? Sendo assim, 199 anos é muito mais interessante que 200. Ano que vem vai todo mundo falar do bicentenário da independência, e será um desatino!

O dia é sete de setembro de 1822, mas a gente já brigava pela independência desde muito antes. É que sempre me impressiona o quão mal pensado é você invadir uma terra que já tem um bocado de gente vivendo lá e ainda levar escravizados e até imigrantes europeus forçosamente convidados a viver numa terra de desterro e, fazendo isso, achar que ficará tudo bem. Esse país foi construído em cima da terra dos outros, por gente que de primeira nem queria estar aqui. É claro que um país assim foi fundado na mais pura revolta, só que revolta de pessoas muito acostumadas a obedecer.

Vai fazer duzentos anos que tentamos passar à frente uma ideia de briga de família e um príncipe que grita em cima de um cavalo e pronto! Estamos independentes! Será que pensam que alguém ainda acredita nisso? O que não faltaram foram mortes e chacinas. De norte a sul desse país não faltaram revoltas e pessoas esquartejadas. O quadro bonito de Pedro Américo, com um príncipe bem vestido, cercado de cavaleiros e gritando às margens de um riacho é apenas uma propaganda barata de um tempo distante daquele. Isso mesmo! Ele foi pintado em 1888, quando a família real já estava mais impopular que alguns líderes de hoje, ainda tentando usar a tal independência pra inflamar um sentimento nacional e dar a ideia que somos nós contra “eles”. Esse mesmo tal de “eles” que não para de mudar e ser usado, Doutor...

Ouvi uma vez que a independência foi só mais um dia onde o Brasil mudou para continuar tudo igual. Se puxar na memória, temos vários dias assim, não temos?

O país nasceu numa tarde monótona, numa colina descampada, com um imperador gritando em sua vestimenta toda suja da viagem e das suas condições intestinais do momento. Por que eu digo isso? Porque aqueles homens, incluindo Dom Pedro, estavam montados em mulas e burros para conseguirem fazer a subida da serra, pois cavalos não conseguiam subir aquela ribanceira. Dom Pedro estava sob o efeito de uma severa dor de barriga e seus colhões deveriam estar num estado lastimável àquela altura.

O fato é que esse mês é mesmo feliz, pois podemos lembrar que, em muitos momentos, nossos líderes estiveram montados em burros, enquanto faziam merda e gritavam alto para serem respeitados.

Fico aqui pensando... Afinal, quando se gritou “independência ou morte”, Doutor, nós escolhemos o quê?


Bem, esse foi o recado de Ifigênia para nossa semana da Pátria. Aprendi com ela que mais importante do que sair gritando por aí, parece que é conhecer exatamente os motivos dos gritos de cada um. Até o próximo podcast!

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