top of page
  • Foto do escritorIfigênia à Brasileira

As Imagens de Nise da Silveira

Boa leitura, mas se preferir ouvir, basta clicar sobre a foto que você será

direcionado ao Spotify.


Nise da Silveira na biblioteca de sua casa

Olá, sou o Marco Faustino, o porta-voz de Dona Ifigênia, a senhorinha que nos traz suas histórias de vida e sobre nosso mundo. Ontem Ifigênia esteve o tempo todo envolvida com suas agulhas de tricô. Ao final da tarde, o médico percebeu o formato de uma mandala, um círculo contendo esquemas simbólicos no trabalho que ela desenvolvia. Vejam o que ela disse ao médico:

Olha, meu querido Doutor. Eu acabei fazendo uma mandala com minhas agulhas e minha lã. Eu sei que você percebeu e por isso está aí olhando todo impressionado, querendo entender o que estas formas todas que eu acabei criando revelam sobre meu inconsciente. Estou fazendo isso pra você mesmo. É um presentinho meu pra usar como toalhinha na sua casa. Bom, o que será que a Dra. Nise falaria sobre esse meu trabalho? Isso mesmo que eu disse: a Dra. Nise da Silveira, uma grande psiquiatra brasileira, conhecida internacionalmente. Pensou que eu não conhecesse o trabalho dessa mulher maravilhosa? Ela foi uma precursora aqui no Brasil no cuidado de pessoas acometidas por doenças mentais com uma terapia baseada em trabalhos artísticos, principalmente a pintura, mas também a escultora, a cerâmica, o bordado e coisas do tipo.

Ainda na década de 1940, trabalhando no Hospital Psiquiátrico Pedro II, no Rio de Janeiro, ela trouxe uma revolução no tratamento de doenças mentais, se opondo a práticas de eletrochoque, muito comuns na época, e introduzindo os ateliês de arte aos internos que ela cuidava, que ela carinhosamente chamava de “meus clientes”. Com o resultado das obras ela conseguiu fundar o Museu das Imagens do Inconsciente, ainda em 1952 no Rio de Janeiro, cujo acervo é fonte não só de estudos, mas da admiração aos que têm contato com aquelas obras. Tenho certeza que você já conheceu materiais de lá, não é meu querido médico? Será que a Nise foi uma das inspirações de sua vida para tornar-se psiquiatra?

Nise teve formação Junguiana, mas mesmo antes de sua especialização, trocou várias cartas de discussões sobre seus métodos de tratamento com o mestre na Suíça. Desse contato, surgiu o convite para organizar uma exposição dos trabalhos realizados por seus pacientes na Suíça em 1957. Vejam só! Uma brasileirinha ao lado de Jung, um dos maiores mestres da psicologia e psiquiatria de todos os tempos expondo trabalhos de esquizofrênicos brasileiros na Europa! E dizem que foi um grande sucesso reverenciado pelo próprio Karl Jung.

Nise faleceu em 1999 e deixou grande legado. A importância de seu trabalho foi fundamental para o desenvolvimento da psiquiatria no Brasil, não foi meu caro Doutor? Eu sei que esse tema você conhece melhor que eu! É claro, não poderia ser diferente.

Aliás, aqui mesmo no estado de São Paulo, em Franco da Rocha, onde funcionou durante décadas o manicômio do Juquery, temos o exemplo bem sucedido de trabalhos terapêuticos com a utilização de propostas artísticas. É o Museu de Arte Osório César, não é verdade? Mas eu vou conversar com você sobre esse museu paulista uma outra hora, porque ainda preciso terminar essa mandala. Ainda não está pronta e já está começando a escurecer. Não gosto de fazer tricô à noite e você não quer receber nenhum presente pela metade, está certo?


Olha que coisa interessante que Dona Ifigênia trouxe à baila. Museus brasileiros com trabalhos artísticos elaborados por internos de hospitais psiquiátricos em seus processos de tratamento. No próximo episódio vamos ouvir o que ela tem a dizer sobre essa experiência realizada aqui em São Paulo exposta no Museu Osório Cesar lá de Franco da Rocha. Até lá!




32 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
bottom of page