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  • Foto do escritorIfigênia à Brasileira

A Horrível Guerra de Canudos

Boa leitura, mas se preferir ouvir, basta clicar sobre a foto que você será direcionado ao Spotify.


“Aquela campanha (de Canudos) lembra um refluxo para o passado. E foi, na significação integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo.”

Euclides da Cunha


Sertanejos prisioneiros em Canudos (Flavio de Barros/Acervo Museu da República)


Olá, eu sou Marco Faustino, o porta-voz de Dona Ifigênia, a senhora que sempre nos traz suas “histórias” e questões. Hoje Ifigênia voltou a falar com seu médico como grande conhecedora de nosso passado. Ouçam só:

Você parece que está aporrinhado, Doutor. Isso é comigo ou é com as coisas que venho lhe falando?

Quer saber mesmo o que é estar assim? Deixe-me falar então sobre um conflito ocorrido nesta terra que faz borbulhar meu estômago tamanho o desconcerto que me causa. Ocorreu entre 1896 e 1897, não faz tanto tempo, não! Já tinha até fotos de boa resolução na época. O século XX já estava para começar. Agora éramos uma república, um regime que se dizia de fundo democrático e que visava o bem do povo, a “Res” Pública, literalmente significando “A Coisa do Povo”.

Esse conflito é identificado como “A Guerra de Canudos” devido ao nome do povoado no interior da Bahia onde ocorreu essa carnificina patrocinada pelo próprio governo constituído. A jovem República!

Antônio Conselheiro, um famoso líder religioso da época, criou uma comunidade de cunho messiânico que pretendia estabelecer um povoamento autônomo, com economia própria, como forma de serem quebrados modelos sociais e econômicos de continuidade da miséria e exploração sempre existentes no sertão nordestino. Em seu auge, o povoamento chegou a agregar até 25.000 pessoas que para lá migraram, enxergando naquela ação a chance de uma nova vida.

O desenvolvimento do grupo acabou por fomentar animosidades com os poderes políticos constituídos, tanto no âmbito estadual, quanto no federal. Nesse sentido, o governo republicano recém instalado, assentou suas ações devido a insegurança que a influência que uma bem-sucedida experiência daquele tipo pudesse ter ante outras comunidades do país. Passou a ser necessário interromper aquele tipo de experiência de cunho anarquista.

Quatro investidas militares foram executadas contra o povoamento, com as três primeiras sendo facilmente derrotadas. No entanto, em sua última ação, as forças da república fortemente armadas acabaram por trucidar a maior parte daquela população sertaneja de agricultores pobres, incluindo suas mulheres, crianças e idosos. Um verdadeiro massacre que tingiu de vermelho o solo estorricado do sertão, pondo fim a uma investida que poderia talvez ter significado a possibilidade de criação de novo modelo econômico para a região.

Uma pergunta para você, Doutor: em que medida essa ação de crueldade se diferencia das chacinas ocorridas, por exemplo, durante as Guerras Mundiais, na Guerra do Iraque ou na Síria? Será que somos mesmo diferentes de outros povos belicosos do mundo? Euclides da Cunha, em sua obra “Os Sertões” descreve com detalhes os fatos ocorridos neste momento macabro de nossa história não tão antiga. Vale a pena você dar uma olhada nesse nosso passado de “paz”. Boa leitura, meu querido Doutor.


Ouviram só? Espero que esses comentários de nossa Ifigênia estejam ajudando você a conhecer um pouco mais sobre nossa história ou mesmo em querer se aprofundar em temas que ela traz. Até o próximo.

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